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Lídice tem ‘trunfo’ do passado na manga, além de Lula como ‘cabo eleitoral’

por Fernando Duarte

Considerada por muitos atores do cenário político como uma carta fora do baralho da chapa majoritária do governador Rui Costa (PT), a senadora Lídice da Mata (PSB) ganhou uma sobrevida na disputa por uma vaga para se candidatar à reeleição. O recado veio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou ter em Lídice e no ex-governador Jaques Wagner (PT) os dois senadores da Bahia na eleição de 2018. Wagner tratou como “brincadeira” do companheiro. Porém é sabido que Lula não costuma brincar com articulações políticas. E o próprio Wagner não desmentiu integralmente a fala da esposa, Fátima Mendonça, quem trouxe a público a conversa sobre o apoio do petista. Mesmo condenado pela Justiça e potencialmente fora da corrida eleitoral ao se tornar virtualmente inelegível, o poder de influência de Lula não pode ser negado ou minimizado. Ainda que um dos concorrentes da vaga, Angelo Coronel, tenha adotado essa estratégia. O ex-presidente praticamente recolocou Lídice no jogo e, até o final do processo eleitoral, cabe à senadora usar as melhores táticas para permanecer como uma opção viável do ponto de vista político. E é a história um dos trunfos da socialista. Lídice é de esquerda desde a época em que o PSDB era de esquerda – sim, isso aconteceu, ainda que não tenha sido uma esquerda radical. E, em 2014, viveu uma situação delicada quando foi “obrigada” a lançar candidatura ao governo – contra Rui Costa – para dar palanque para o PSB do então candidato Eduardo Campos. Diferente da versão pública, também passou por Wagner as agruras de Lídice em romper com os aliados históricos na Bahia. Houve, de acordo com interlocutores, um “jogo combinado” para evitar que o PSB fosse parar nas mãos de adversários do ainda governador e grande avalista de Rui. À época, o ex-ministro Geddel Vieira Lima procurou Eduardo Campos, como pré-candidato ao governo da Bahia, e propôs “tomar” a legenda para dar um palanque competitivo para o pernambucano. Campos, cujos interesses no Palácio do Planalto eram vistosos, ponderou o pleito, porém acabou convencido também por Lídice que deveria manter o controle socialista com a senadora. Foi o que aconteceu. E ela ficou, como já era desde sempre, como uma das vozes defensoras dos governos petistas no Senado Federal, uma ferrenha crítica do impeachment de Dilma Rousseff e do sucessor dela, Michel Temer.  Para além de forte cabo eleitoral, Lídice tem também esse trunfo da história a seu favor. Cabe a Rui saber pesar. Este texto integra o comentário desta sexta-feira (2) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM e Clube FM.

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