Cenário eleitoral à Presidência vive cenário diferente ao ocorrido em 2022
Este sábado, 4 de julho, marca o período de 90 dias que antecede o primeiro turno das eleições à Presidência da República e, mais uma vez, deve manter o cenário de polarização visto em 2022, entre Lula (PT) e um representante da família Bolsonaro — desta vez, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
As pesquisas da AtlasIntel, parceira do Grupo A TARDE, vêm apontando por este caminho. Juntos, conforme o último levantamento divulgado na quarta-feira, 1º, o petista e o liberal possuem mais de 80% das intenções de voto, no primeiro turno — em dois dos três cenários analisados —, enquanto os demais citados (Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, etc.) têm pouco mais de 14%.
Diferenças
Contudo, a três meses do pleito, desta vez o panorama parece ser diferente daquele visto em 2022, quando Lula e o então presidente Jair Bolsonaro (PL) fizeram uma das eleições mais disputadas desde a retomada do período democrático no país, em 1985.
Muito disso se deve, especialmente, aos desgastes sofridos pela candidatura de Flávio Bolsonaro, desde o âmbito político até questões dentro da própria família.
Ainda que tenha um forte apelo nas redes sociais, o envolvimento dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, trouxe danos ao seu projeto de chegar à Presidência da República. Isso se reflete, inclusive, na última pesquisa AtlasIntel.

Flávio, que chegou a estar em empate técnico com Lula, há alguns meses, agora aparece quase 11 pontos percentuais atrás do petista, em um dos cenários avaliados pelo levantamento divulgado há três dias.
Neste, por exemplo, Lula aparece com 47,2% das intenções de voto, contra 36,35% de Flávio Bolsonaro.
Segundo turno
Já quando se analisam as intenções de voto para o segundo turno, o prejuízo a Flávio também é evidente. Se entre fevereiro e abril deste ano, o liberal estava empatado com o petista, o cenário de junho já foi diferente.
Segundo os dados, Lula tem 48,8% das intenções de voto, contra 42,3% do adversário — em março, Flávio tinha 48% contra 47% do petista.
Fator Michelle
Além do Caso Master, em nível nacional, ter trazido problemas à candidatura de Flávio, questões familiares recentes vieram à tona, a exemplo da rusga com a sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que ainda sonha em ser a candidata da extrema-direita à Presidência.
Ela publicou um vídeo, há alguns dias, em que acusou Flávio de maltratá-la após briga a respeito de aliança com Ciro Gomes no Ceará. "Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante", afirmou ela, na publicação.

O racha familiar — mais um envolvendo Michelle e os filhos do ex-presidente — fez com que Flávio tentasse colocar panos quentes na história, chegando a afirmar que "quem manda é a mulherada", durante um evento político.No entanto, desta vez, parece que a situação é irreversível. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, teve de retornar dos Estados Unidos — onde estava acompanhando os jogos da Copa do Mundo — para o Brasil para tentar sanar a situação. Porém, teria ouvido de Michelle que não faria qualquer participação na campanha do enteado.
E o Lula?
Enquanto isso, o presidente Lula (PT), ainda que com dificuldades na relação com o Congresso Nacional — mais especificamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — manteve, até a última sexta-feira, 3, uma extensa agenda de entregas, pelo país, antes do início das proibições previstas pela legislação eleitoral.
Na Bahia, na última quarta-feira, 1º, o mandatário esteve em Alagoinhas, onde realizou a entrega de um hospital; em Vera Cruz, para participar do início das obras da ponte Salvador-Itaparica; e em Salvador, para a reabertura do Teatro Castro Alves (TCA).

No âmbito político, na capital federal, apesar do revés com a negativa do Senado ao nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), teve conquistas importantes no Congresso, como a aprovação do aumento da isenção do Imposto de Renda, no final de 2025.
Além disso, há a expectativa pela aprovação, no Senado — o texto já passou pela Câmara —, do Projeto de Emenda à Constituição que acaba com a Escala 6x1. Mesmo com os embates com Davi Alcolumbre, a base de oposição na Casa, espera-se que a matéria seja aprovada antes das eleições, o que poderia turbinar, ainda mais, a reeleição do petista ao Palácio do Planalto.
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